Viajar mais é o sonho de muita gente.
Conhecer novos lugares, visitar a família, fazer aquela viagem que sempre ficou para depois.
O problema quase sempre é o mesmo: o preço das passagens.
Mas e se você descobrisse que pode ter uma espécie de segunda carteira, exclusiva para viagens, formada pelos seus gastos do dia a dia — e que muita gente simplesmente ignora?
Estamos falando de pontos do cartão de crédito e milhas aéreas.
Todos os anos, bilhões de pontos expiram no Brasil porque as pessoas:
- não sabem como o sistema funciona
- acham que é complicado demais
- ou acreditam que milhas são “coisa de quem viaja muito”
A verdade é que isso mudou.
Hoje, você pode acumular milhas sem pisar em um avião.
Este guia foi feito para quem quer entender do zero, sem “milhês”, como pontos viram passagens e como não perder dinheiro no caminho.
Pontos e milhas: são a mesma coisa?
Não. E entender essa diferença é o primeiro passo.
🔹 Pontos do cartão
São pontos acumulados no programa de fidelidade do banco sempre que você paga a fatura do cartão.
Exemplos comuns: programas de bancos e plataformas de pontos.
Esses pontos ficam “parados” até você decidir o que fazer com eles.
🔹 Milhas aéreas
São a moeda dos programas das companhias aéreas.
É com elas que você emite passagens, faz upgrades ou acessa outros benefícios ligados a viagens.
Regra básica do jogo
👉 Pontos do banco podem virar milhas
👉 Milhas quase nunca voltam a virar pontos
Por isso, o momento da transferência é uma das decisões mais importantes de todo o processo.
Para quem esta começando, é normal estranha alguns dos termos citados aqui, por tanto recomento que voce leia também nosso post: Glossário de milhas: termos que você precisa dominar
Dá para usar pontos direto para comprar passagens?
Alguns programas permitem comprar passagens diretamente com pontos, sem transferir para uma companhia aérea.
O problema é que, na maioria dos casos, esse tipo de resgate:
- tem valor ruim por ponto
- se aproxima do preço em dinheiro
- elimina a vantagem estratégica das milhas
Pode fazer sentido em situações muito específicas, mas não é a forma mais eficiente de usar seus pontos.
Por isso, quando se fala em viajar com milhas, o foco quase sempre está em:
👉 transferir pontos → gerar milhas → emitir passagens
Formas de acumular milhas (muito além de voar)
Antigamente, só acumulava milhas quem vivia viajando. Hoje, a maior parte das milhas nasce em terra firme.
1️⃣ Cartão de crédito (a base de tudo)
Toda compra feita no cartão gera pontos.
Aqui entra um detalhe crucial:
o cartão precisa estar adequado ao seu perfil de gastos.
Exemplo real:
Uma pessoa que gasta R$ 10.000 por mês usando um cartão pensado para quem gasta R$ 3.000 deixa de acumular milhares de pontos por ano — sem mudar nenhum hábito, apenas por usar o cartão errado.
Não é gastar mais.
É pontuar melhor o que você já gasta.
Pensando nisso, criamos uma lista de cartões que pode te ajudar a identificar o melhor cartão para você começar: Cartões sem anuidade que pontuam: guia para escolher o seu.
2️⃣ Compras online bonificadas
Ao comprar em lojas parceiras por meio de portais de compras, você pode ganhar:
- 2
- 5
- 10 ou mais pontos por real gasto
Isso vale para eletrônicos, roupas, serviços e muito mais.
É uma das formas mais rápidas de acumular grandes quantidades de pontos — desde que você já pretendesse fazer aquela compra.
3️⃣ Compra direta de pontos ou milhas
Sim, é possível comprar pontos ou milhas.
Isso pode ser interessante quando:
- falta pouco para emitir uma passagem
- surge uma promoção específica
- o custo por milha é vantajoso
Mas aqui entra o alerta:
comprar milhas sem fazer conta é uma das formas mais rápidas de perder dinheiro.
4️⃣ Voando
Voar ainda gera milhas, claro.
Mas, para a maioria das pessoas, essa é a menor fonte de acúmulo, não a principal.
Como transferir pontos do jeito certo
Se você tem pontos no banco, não transfira por impulso.
O caminho mais inteligente costuma ser:
- Verificar se o banco é parceiro do programa aéreo desejado
- Aguardar promoções de transferência bonificada
- Transferir apenas quando houver um plano claro de uso
Em promoções, é comum receber:
- 30%
- 50%
- ou até mais de 100% em milhas extras
Isso muda completamente o valor final da emissão.
Para entender melhor como funcionam essas promoções, recomendo que leia nosso post: Transferência de pontos: quando vale e quando é cilada
Como saber se usar milhas vale a pena
Nem toda emissão com milhas é um bom negócio.
O conceito-chave aqui é simples:
👉 valor por milha
Você compara:
- preço da passagem em dinheiro
- quantidade de milhas exigida
E analisa se aquele resgate faz sentido para você.
Às vezes, milhas são ótimas.
Às vezes, pagar em dinheiro é melhor.
Pode parecer complexo agora, mas explicamos de maneira detalhada como saber quando o valor da milha esta valendo a pena no nosso post: Resgate inteligente: como comparar valor por milha
Preciso escolher um programa só?
Para começar, sim.
Os programas de fidelidade existem para fidelizar o cliente.
Quem concentra estratégia costuma ter mais vantagens do que quem espalha tudo.
Você pode ter conta em vários programas, mas é normal que:
- um seja mais interessante para voos nacionais
- outro para internacionais
- outro apenas para acúmulo
Isso depende do seu perfil e do seu objetivo.
Conclusão: milhas não são truque, são ferramenta
Milhas não são golpe.
Mas também não são automáticas.
Quem não entende o básico:
- transfere errado
- usa mal
- acha que “não funciona”
Quem entende:
- evita erros caros
- toma decisões melhores
- transforma gastos comuns em viagens reais
Se você aprender o básico, já estará à frente da maioria das pessoas.
E é exatamente para isso que este guia existe.
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