Imigração

Imigração: Guia Completo pa

babadahora23@gmail.com
fevereiro 2, 2026 20 min de leitura

Imigrar não é fazer uma viagem longa. É reconstruir a vida em outro lugar, com regras diferentes, idioma diferente, cultura diferente — e descobrir, no meio do caminho, que você também é diferente do que pensava.

Eu vim para o Japão em junho de 2024. Não foi minha primeira vez aqui (morei quando criança), mas voltar como adulto para trabalhar e viver é completamente diferente de estar aqui de passagem ou como dependente dos pais.

Antes de decidir pelo Japão, em 2022 passei 3 meses viajando pela Espanha, Portugal e sul da França justamente para comparar opções de imigração. Foi essa viagem que me ajudou a ter clareza: economicamente e burocraticamente, o Japão fazia mais sentido para o meu perfil.

E uma coisa que aprendi rápido: imigração não é sobre destino. É sobre processo.

Não importa se você quer ir para o Japão, Europa, Estados Unidos ou qualquer outro lugar. Os desafios fundamentais são os mesmos:

  • Burocracia de visto e documentação
  • Adaptação cultural e idioma
  • Estabilização financeira
  • Solidão e distância da família
  • O período “depressivo” que quase todo imigrante passa entre os meses 6-12

Neste guia, vou te mostrar tudo que você precisa saber para começar a planejar sua imigração de forma realista. Não vou te vender sonhos — vou te mostrar o processo real, com os desafios e as oportunidades que existem quando você decide recomeçar em outro país.

O que realmente é imigrar (e o que não é)

Imigração não é:

  • ❌ Fazer uma viagem longa de férias
  • ❌ “Fugir” dos problemas do Brasil (eles te seguem de formas diferentes)
  • ❌ Ganhar em dólar/euro e viver como rico
  • ❌ Uma solução mágica para dificuldades financeiras

Imigração é:

  • ✅ Reconstruir sua vida do zero em outro lugar
  • ✅ Aprender (ou reaprender) a fazer coisas básicas (abrir conta, alugar casa, entender transporte)
  • ✅ Aceitar que você vai começar “de baixo” profissionalmente, mesmo sendo qualificado
  • ✅ Lidar com solidão, saudade e distância de quem você ama
  • ✅ Um processo que leva tempo (geralmente 1-3 anos até você se sentir “estável”)

A verdade que ninguém fala: Os primeiros 6-12 meses são os mais difíceis. Você passa por um período de “deslumbramento” no primeiro mês (tudo é novo e interessante), depois entra num período depressivo onde sente falta de tudo e todos. Só depois disso é que vem a estabilidade mental e emocional.

Eu passei por isso. Meu pai (que mora na Espanha há 15+ anos) passou por isso. Todo imigrante que conheço passou por isso. É parte do processo — e saber que isso é normal ajuda a atravessar.

Tipos de imigração: temporária vs permanente

Antes de começar qualquer planejamento, você precisa entender a diferença fundamental:

Imigração Temporária

O que é: Você vai para outro país por um período determinado (meses ou anos), mas sem intenção de fixar residência permanente.

Exemplos:

  • Visto de trabalho temporário (1-3 anos)
  • Visto de estudante (duração do curso)
  • Working holiday (6-12 meses)
  • Intercâmbio (3-12 meses)

Características:

  • Prazo definido de permanência
  • Geralmente mais fácil de conseguir que visto permanente
  • Pode ou não permitir trabalho remunerado
  • Não garante renovação automática
  • Não leva diretamente à cidadania

Para quem faz sentido:

  • Quem quer testar morar fora antes de se comprometer
  • Estudantes que querem experiência internacional
  • Profissionais em início de carreira buscando experiência
  • Pessoas que querem economizar dinheiro e voltar

Imigração Permanente

O que é: Você vai para outro país com intenção de fixar residência definitiva, podendo eventualmente obter cidadania.

Exemplos:

  • Residência permanente (Green Card nos EUA, PR no Canadá, etc)
  • Visto de trabalho que leva à residência
  • Reunificação familiar
  • Investimento (Golden Visa, EB-5, etc)

Características:

  • Processo mais complexo e demorado
  • Geralmente requer comprovação financeira robusta
  • Permite trabalho integral
  • Caminho para cidadania (geralmente após 5-10 anos)
  • Menos flexibilidade (cancelar tem consequências)

Para quem faz sentido:

  • Quem tem certeza que quer reconstruir vida em outro país
  • Famílias que querem estabilidade de longo prazo
  • Profissionais com plano de carreira internacional
  • Pessoas com laços familiares no país de destino

Minha experiência: Vim para o Japão com visto de trabalho (temporário inicialmente), mas por ser descendente de japoneses, tenho facilidade para converter em residência permanente. Isso foi um fator decisivo na minha escolha — porque em países como Espanha ou Portugal (onde meu pai tentou), o processo de residência é muito mais burocrático e demorado.

Meu pai está há 15+ anos na Espanha e até hoje não conseguiu cidadania. Teve problemas com documentação, renovações, burocracia. No Japão, pelo visto de descendente, esse caminho é muito mais direto.

Lição: Nem todo país tem o mesmo nível de dificuldade burocrática. Isso importa MUITO na hora de escolher destino.

Principais tipos de visto pelo mundo

Embora cada país tenha suas especificidades, os tipos de visto seguem padrões similares:

1. Visto de Turismo

Duração: Geralmente 30-90 dias Permite trabalho? Não Comum em: Praticamente todos os países

Para que serve: Visitar, conhecer, turismo. NÃO serve para morar ou trabalhar.

Atenção: Muita gente entra como turista e tenta “ficar” trabalhando ilegalmente. Isso é crime e pode resultar em deportação e proibição de retorno por anos.

2. Visto de Estudante

Duração: Duração do curso (6 meses a 4+ anos) Permite trabalho? Depende do país (alguns permitem trabalho parcial: 20h/semana) Comum em: EUA (F-1), Canadá, Austrália, Europa

Para que serve: Estudar em instituições credenciadas. Pode ser porta de entrada para residência permanente em alguns países.

Custo: Mensalidade da instituição + comprovação financeira (geralmente US$ 10.000-30.000/ano)

3. Visto de Trabalho

Duração: 1-5 anos (renovável) Permite trabalho? Sim, vinculado ao empregador patrocinador Comum em: Todos os países desenvolvidos

Para que serve: Trabalhar legalmente. Geralmente requer que uma empresa te contrate e “patrocine” seu visto.

Como funciona:

  1. Empresa te contrata e inicia processo de patrocínio
  2. Você aplica ao visto com documentação da empresa
  3. Se aprovado, visto é vinculado àquele empregador

Limitação: Se você perder o emprego, pode perder o visto (depende do país e tipo).

Minha experiência: Vim para o Japão via empresa que me patrocinou. A própria empresa:

  • Pagou minha passagem (100% gratuito)
  • Alugou apartamento no meu nome
  • Mobiliou parcialmente (colchão, fogão, panelas, geladeira, ar-condicionado)
  • Me buscou no aeroporto
  • Me levou para resolver burocracias (registro na prefeitura, abrir conta bancária)

Isso é comum em empresas japonesas que contratam estrangeiros — principalmente para trabalho em fábrica. Mas não é padrão em todos os países. Na Europa ou EUA, geralmente você arca com esses custos sozinho.

4. Visto de Descendência

Duração: Pode levar direto à residência permanente Permite trabalho? Sim Comum em: Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, Japão, Israel (países com grande diáspora)

Para que serve: Facilitar imigração de descendentes de cidadãos.

Como funciona: Você comprova ancestralidade (certidões, árvore genealógica) e obtém visto especial ou até cidadania direta.

Minha experiência: Sou descendente de japoneses (sansei — terceira geração). Isso me deu acesso ao visto de descendente, que é muito mais simples que visto de trabalho comum. A burocracia foi mínima comparada ao que meu pai enfrentou na Espanha sem descendência espanhola.

5. Visto de Investidor

Duração: Pode levar à residência permanente Permite trabalho? Sim Comum em: Portugal (Golden Visa), EUA (EB-5), Canadá, Austrália

Para que serve: Atrair capital estrangeiro.

Investimento mínimo: US$ 250.000 (Portugal) até US$ 800.000+ (EUA)

Para quem faz sentido: Empresários, investidores, pessoas com patrimônio significativo.

6. Visto de Reunificação Familiar

Duração: Geralmente leva à residência permanente Permite trabalho? Sim Comum em: Todos os países desenvolvidos

Para que serve: Reunir famílias (cônjuge, filhos, pais de cidadãos/residentes).

Como funciona: Um familiar que já é cidadão ou residente permanente “patrocina” seu visto.

Tempo: Pode levar de 6 meses a 3+ anos dependendo do grau de parentesco e país.

O que você precisa ANTES de imigrar

Não importa o país. Essas coisas são universais:

1. Documentação em ordem

  • Passaporte válido (com pelo menos 6 meses de validade além da data de viagem)
  • Certidões (nascimento, casamento) apostiladas
  • Histórico escolar/diplomas traduzidos e autenticados
  • Comprovante de antecedentes criminais
  • Exames médicos (alguns países exigem)

Tempo necessário: 2-6 meses para reunir tudo

Custo: R$ 500-3.000 (traduções, apostilamentos, taxas)

2. Comprovação financeira

A maioria dos países exige prova de que você pode se sustentar inicialmente.

Valores típicos exigidos:

  • Visto de estudante: US$ 10.000-30.000 (para 1 ano)
  • Visto de trabalho: US$ 3.000-10.000 (reserva inicial)
  • Residência permanente: US$ 15.000-50.000 (dependendo do país)

Importante: Esse dinheiro precisa estar na sua conta, geralmente por 3-6 meses antes da aplicação. Empréstimos de última hora são identificados e podem levar à recusa.

3. Idioma

Aqui a situação varia muito de país para país.

Na maioria dos países (Europa, EUA, Canadá): Você precisa do idioma local. Sem isso, fica quase impossível trabalhar, resolver burocracias, ou ter vida minimamente funcional.

No Japão (caso específico): Por causa da grande comunidade brasileira e estrutura para estrangeiros em fábricas, dá para viver sem saber japonês. Conheço pessoas com 6+ anos aqui que mal sabem dizer “arigatō”.

Como isso funciona:

  • Fábricas têm tradutores brasileiros
  • Prefeituras têm setor específico com brasileiros para atender imigrantes
  • Empresas especializadas levam você ao médico com tradutor
  • Comunidade brasileira resolve 90% das necessidades do dia a dia

Mas atenção: Viver sem o idioma limita muito suas opções:

  • Fica preso a trabalhos em fábricas com suporte para brasileiros (se perder esse emprego, precisa de japonês para outros)
  • Depende de terceiros para coisas simples
  • Perde oportunidades melhores (escritório, comércio, serviços)
  • Qualidade de vida é menor (não consegue resolver problemas sozinho)

Inglês como alternativa poderosa:

Em muitos países (especialmente Europa, Ásia desenvolvida, Canadá), saber inglês abre portas quase tanto quanto o idioma local. Empresas multinacionais, setores de tecnologia, turismo e serviços frequentemente operam em inglês.

Se você ainda não sabe o idioma local mas tem inglês intermediário/avançado, já está muito à frente. Combine inglês funcional com o básico do idioma local e você terá muito mais oportunidades que quem não sabe nenhum dos dois.

Minha recomendação: Mesmo em países onde “dá para viver sem”, aprenda o idioma (ou pelo menos inglês). Não precisa ser fluente, mas funcional faz diferença gigante. Você abre portas, ganha independência e melhora muito sua experiência.

Quer ajuda com aprendizado de idiomas? Fale diretamente comigo no WhatsApp — posso te orientar sobre estratégias de estudo e o que realmente funciona na prática.

Regra geral para outros países: Invista em idioma antes de ir. Nível básico/intermediário já ajuda muito. Fluência você pode alcançar morando lá, mas ir do zero é muito mais difícil.

4. Emprego ou fonte de renda

Você tem basicamente 3 opções:

Primeira opção A: Ser contratado por empresa ANTES de ir (mais seguro)

  • Empresa patrocina visto
  • Você já chega com emprego garantido
  • Geralmente inclui benefícios (passagem, moradia inicial)

Segunda opção: Ir com reserva financeira e buscar emprego lá (mais arriscado)

  • Precisa de visto que permita trabalhar
  • Reserva precisa cobrir 6-12 meses
  • Pode demorar até encontrar emprego na sua área

Terceira opção: Trabalho remoto para empresa brasileira (flexível)

  • Você mantém renda em reais
  • Precisa declarar no país de destino
  • Nem todos os vistos permitem essa modalidade

Minha escolha: Opção A. Fui contratado antes de sair do Brasil por empresa que já opera no Japão. Isso eliminou o maior risco (chegar sem emprego).

Custos reais de imigrar (que ninguém te conta)

Antes de ir:

  • Passagem aérea: R$ 3.000-8.000 (ida)
  • Visto/taxas consulares: R$ 500-3.000
  • Documentação: R$ 500-3.000
  • Exames médicos: R$ 300-1.500
  • Total antes de ir: R$ 5.000-15.000

Ao chegar (primeiros 3 meses):

  • Aluguel + depósito (geralmente 2-3 meses): R$ 6.000-20.000
  • Móveis básicos: R$ 2.000-8.000 (se não vier mobiliado)
  • Alimentação: R$ 1.500-3.000/mês
  • Transporte: R$ 300-1.000/mês
  • Celular/internet: R$ 200-500/mês
  • Imprevistos: R$ 2.000-5.000
  • Total primeiros 3 meses: R$ 15.000-40.000

Custos escondidos que as pessoas esquecem:

  • Envio de dinheiro: Taxas de câmbio + IOF (4-6% do valor)
  • Conversão de habilitação: R$ 500-2.000
  • Roupas adequadas: Clima diferente = guarda-roupa novo (R$ 1.000-3.000)
  • Alimentos específicos: Comida brasileira no exterior é CARA (R$ 300-800/mês a mais)
  • Viagens de emergência: Se alguém ficar doente no Brasil, passagem de última hora custa R$ 8.000-15.000

Minha experiência: No Japão, tive sorte. A empresa pagou passagem e mobiliou parcialmente o apartamento. Mas ainda assim precisei de dinheiro nos primeiros 2 meses até receber o primeiro salário cheio.

Gastei cerca de R$ 5.000 — que eu nem tinha guardado, foi tudo no limite do cartão de crédito:

  • Linha telefônica/internet (essencial para se comunicar)
  • Alimentação (comida normal do dia a dia, não comida brasileira — que seria muito mais caro)
  • Custos básicos de sobrevivência até o dinheiro entrar

Não gastei com roupas porque cheguei no verão japonês (minhas roupas de Brasil serviam). Se tivesse chegado no inverno, teria que comprar casacos para -5°C, o que facilmente seria mais R$ 2.000-3.000.

E isso com a empresa cobrindo passagem + apartamento + móveis básicos. Se eu tivesse que pagar tudo sozinho, precisaria de pelo menos R$ 20.000-30.000 de reserva.

A realidade: mesmo em situações “privilegiadas” onde a empresa ajuda muito, você ainda precisa de dinheiro nos primeiros 2-3 meses. E se não tiver, vai no cartão — como foi o meu caso.

O mercado de usados: vantagem que poucos consideram

Uma coisa que me surpreendeu positivamente no Japão (e que não vejo pessoas mencionando quando falam de imigração): o mercado de usados aquecido.

Aqui, as pessoas têm incentivo cultural a ter coisas novas. Então elas se desfazem de coisas usadas por preços ridículos ou até doando.

Exemplos reais que consegui:

  • Carro: Ganhei de graça de um brasileiro que voltou para o Brasil. Para ele, sair do carro seria custo (tem que pagar para “desmanchar” carro aqui). Ele me deu de graça e ainda pagou a transferência de documentação.
  • Geladeira: Comprei por ¥5.000 (R$ 150) de alguém voltando ao Brasil. Nova custaria ¥50.000 (R$ 1.500).
  • Móveis diversos: Gaveteiros, liquidificador, panelas, utensílios — ganhei tudo do brasileiro que me vendeu a geladeira.

Isso acontece porque:

  1. Comunidade de imigrantes é forte e organizada (grupos no Facebook)
  2. Quem volta não consegue levar tudo
  3. Cultura local valoriza o novo (então tem muito usado em bom estado)

Resultado: Economizei facilmente R$ 8.000-10.000 em móveis e eletrodomésticos nos primeiros meses.

Lição: Sempre procure comunidades de brasileiros/imigrantes no país de destino antes de comprar coisas novas. Você vai economizar muito.

A montanha-russa emocional: o que esperar

Aqui está o cronograma emocional típico (baseado na minha experiência e de dezenas de imigrantes que conheço):

Mês 1: Fase do deslumbramento

Tudo é novo, interessante, diferente. Você está empolgado explorando, conhecendo, descobrindo. É como férias estendidas.

Emoção dominante: Empolgação, curiosidade

Meses 2-6: A descida

A novidade passa. Você começa a sentir:

  • Falta de família e amigos
  • Dificuldade de fazer amizades profundas
  • Frustração com barreira de idioma
  • Solidão (mesmo com comunidade de brasileiros)
  • Saudade de coisas simples (comida, lugares, rotina)

Emoção dominante: Tristeza, solidão, arrependimento

Minha experiência: Entre o mês 4-8, passei por um período bem difícil. Sentia falta de todo mundo no Brasil. Não tinha amizades fortes aqui (só colegas de trabalho e conhecidos da comunidade brasileira, mas não é a mesma coisa). Comecei a questionar se tinha feito a escolha certa.

Esse é o período onde muita gente desiste e volta. É normal. Quase todo imigrante passa por isso.

Meses 7-12: A estabilização

Você começa a criar rotina, fazer amizades, entender como as coisas funcionam. A sensação de “estar perdido” diminui. Você ainda sente saudade, mas é manejável.

Emoção dominante: Aceitação, rotina, pequenas alegrias

Ano 2+: A adaptação

Você já se sente “de casa” (ou pelo menos confortável). Ainda tem momentos de saudade, mas não é constante. Você construiu vida nova — não substitui a antiga, mas coexiste com ela.

Emoção dominante: Estabilidade, pertencimento parcial

Importante: Esse cronograma varia de pessoa para pessoa, mas o padrão geral (deslumbramento → depressão → estabilização) é muito comum. Saber disso antes de ir ajuda MUITO a atravessar os meses difíceis.

Fatores que você PRECISA considerar além de salário

A maioria das pessoas escolhe país de destino olhando apenas salário e custo de vida. Isso é um erro.

Fatores igualmente importantes:

1. Facilidade burocrática

Alguns países têm processos simples de residência. Outros são kafkianos.

Exemplo: Japão (com visto de descendente) vs Espanha (sem descendência)

  • Japão: Processo relativamente direto, empresa me ajudou, resolvi tudo em semanas
  • Espanha (caso do meu pai): 15+ anos morando lá e até hoje sem cidadania, problemas constantes com renovação de documentos

2. Adaptação alimentar

Parece bobo, mas importa MUITO no longo prazo.

Minha experiência: No Japão, sinto muita falta de frutas (são caríssimas e menos acessíveis que no Brasil). Você não percebe quanto isso importa até estar longe.

Se você é vegetariano/vegano, países com cultura carnívora (Argentina, por exemplo) vão ser mais difíceis. Se você precisa de comida brasileira específica, cidades sem comunidade brasileira vão ser caras.

3. Comunidade de brasileiros

Ter uma comunidade forte de brasileiros (ou latinos) faz diferença gigante no início.

No Japão, a comunidade brasileira é grande e organizada. Nos primeiros dias, recebi ajuda com:

  • Onde comprar coisas baratas
  • Como funciona transporte
  • Onde tem mercado com produtos brasileiros
  • Grupos de WhatsApp/Facebook para compra/venda de usados

Sem essa comunidade, teria gasto muito mais dinheiro e tempo descobrindo tudo sozinho.

4. Mobilidade/locomoção

Você vai precisar de carro? Transporte público é bom? Bicicleta resolve?

Japão: Transporte público excelente, mas carro é útil (principalmente fora de grandes cidades). Consegui carro de graça (conforme mencionei), mas se tivesse que comprar, seria mais R$ 15.000-30.000.

EUA: Carro é praticamente obrigatório na maioria das cidades. Adicione R$ 40.000-100.000 ao custo inicial.

Europa: Transporte público geralmente é excelente. Carro é opcional.

Erros comuns de quem começa a planejar imigração

Erro #1: Romantizar o destino

“Ah, mas a Europa é tão linda! Vou morar num apartamento charmoso, tomar vinho todos os dias…”

Realidade: Você vai morar num apartamento pequeno e caro, trabalhar em emprego que não é da sua área (inicialmente), e lutar para pagar contas todos os meses — como no Brasil, só que longe de quem você ama.

Erro #2: Achar que resolver problemas financeiros

Imigrar não resolve dívidas. Você vai ganhar em moeda forte, mas também vai gastar em moeda forte.

Se você não sabe administrar dinheiro no Brasil, não vai saber no exterior.

Erro #3: Não considerar custo emocional

Dinheiro você recupera. Tempo com família e amigos, não.

Pergunte-se: vale a pena perder aniversários, natais, nascimentos, formaturas da família pelos próximos 5-10 anos?

Para algumas pessoas sim, para outras não. Não há resposta certa — mas você precisa considerar isso honestamente.

Erro #4: Ir sem reserva financeira

“Ah, eu chego lá e arrumo emprego rápido.”

Não. Vai demorar. Mesmo com qualificação, vai demorar.

Mínimo recomendado: 6 meses de custo de vida guardado. Idealmente 12 meses.

Erro #5: Ignorar idioma completamente

“Ah, tem comunidade de brasileiros, dá para viver sem falar a língua.”

Realidade: Em alguns países (como Japão), realmente dá para sobreviver sem o idioma por causa da estrutura para estrangeiros. Mas você vai ficar preso a:

  • Empregos específicos (geralmente fábricas)
  • Dependência de tradutores e comunidade
  • Oportunidades limitadas
  • Qualidade de vida menor

Na maioria dos outros países (Europa, América do Norte), sem idioma você simplesmente não consegue viver minimamente.

Invista em idioma sempre que possível. Mesmo que tecnicamente “dê para viver sem”, saber o idioma local abre portas e melhora drasticamente sua experiência.

Quando faz sentido imigrar

Imigração faz sentido quando:

✅ Você tem um plano claro (não está fugindo, está indo em direção a algo) ✅ Você tem reserva financeira para aguentar 6-12 meses ✅ Você está disposto a começar de baixo profissionalmente (pelo menos no início) ✅ Você entende que vai ser difícil emocionalmente e está preparado ✅ Você tem clareza de que não é solução mágica — é troca de um conjunto de problemas por outro

Imigração NÃO faz sentido quando:

❌ Você está fugindo de problemas pessoais/financeiros sem resolvê-los ❌ Você não tem reserva financeira ❌ Você acha que “lá fora é melhor em tudo” ❌ Você não está disposto a passar por período difícil emocionalmente ❌ Você tem expectativa de vida fácil/confortável imediata

Checklist: primeiros passos para começar

Se depois de ler tudo isso você ainda quer imigrar, aqui está o que fazer:

1. Defina o país (baseado em: facilidade de visto, idioma, custo, comunidade, adaptação cultural)

2. Pesquise tipo de visto que se aplica a você (trabalho? estudo? descendência?)

3. Calcule custos reais (some TUDO: documentação + passagem + primeiros 6 meses de vida)

4. Comece a juntar reserva (mínimo 6 meses, ideal 12 meses de custo de vida)

5. Estude o idioma (pelo menos básico antes de ir)

6. Entre em grupos/comunidades de brasileiros no país de destino (Facebook, WhatsApp)

7. Prepare documentação (passaporte, certidões, traduções, apostilamentos)

8. Se for visto de trabalho: Comece a buscar empresas que patrocinam estrangeiros

9. Se for visto de estudo: Pesquise instituições credenciadas e custos

10. Tenha plano B (se não der certo, quanto custa voltar? Você aceita isso?)

Conclusão

Imigrar foi uma das decisões mais difíceis que tomei. Não porque o Japão seja ruim — mas porque qualquer imigração é difícil.

Você vai sentir saudade. Vai passar por período depressivo. Questionar se fez a escolha certa. Vai pensar em voltar.

Mas se você planejar bem, tiver reserva financeira, escolher país que faça sentido para seu perfil, e atravessar os primeiros 12 meses difíceis, a estabilidade vem.

Hoje, cerca de 1 ano e meio depois, não me arrependo. Mas também não romantizo. Imigrar não resolveu meus problemas — me deu problemas diferentes. E para mim, esses problemas novos são melhores que os antigos.

Mas isso é para mim. Para você, pode ser diferente.

Comece devagar. Pesquise. Planeje. Junte dinheiro. Estude idioma. Entre em comunidades. E só vá quando tiver clareza do que está fazendo — não como fuga, mas como escolha consciente.

Você está pensando em imigrar? Para onde? Qual sua maior dúvida sobre o processo? Conta nos comentários!

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Escrito por babadahora23@gmail.com

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