Imigração

ERROS COMUNS DE QUEM COMEÇA A PLANEJAR IMIGRAÇÃO

babadahora23@gmail.com
fevereiro 4, 2026 10 min de leitura

Quando comecei a planejar minha saída do Brasil, eu cometi praticamente todos os erros que vou listar neste post.

Eu pesquisava de forma desorganizada, acreditava em informações erradas que via em grupos do Facebook, subestimava custos, e quase tomei decisões que teriam me custado muito dinheiro (e tempo).

A verdade é que planejar imigração é mais complicado do que parece. E a maioria dos erros acontece justamente no começo, quando você ainda não sabe direito o que está fazendo.

Neste post, vou te mostrar os erros mais comuns de quem está começando a planejar imigração — e como evitar cada um deles.

1. Escolher o país pelos motivos errados

Esse é o erro número 1. Muita gente escolhe o país baseado em:

  • “Ah, eu sempre quis conhecer a França”
  • “Meu primo mora no Canadá e disse que é bom”
  • “Vi no Instagram que Portugal é fácil”

O problema é que querer visitar um país é diferente de querer morar nele. E o que funciona para o seu primo pode não funcionar para você.

Quando eu estava decidindo entre Japão, Portugal e Espanha, eu poderia ter escolhido a Espanha só porque meu pai mora lá. Mas quando analisei friamente, o Japão fazia muito mais sentido para os meus objetivos: juntar dinheiro rápido, pagar dívidas, e voltar para o Brasil.

Como evitar:

Antes de escolher o país, pergunte a si mesmo:

  • Qual é o meu objetivo? (juntar dinheiro, qualidade de vida, cidadania, experiência?)
  • Eu tenho as qualificações necessárias para imigrar para esse país?
  • Quanto custa viver lá de verdade?
  • Eu consigo lidar com o clima, idioma, cultura?

Se você ainda está no começo e quer entender melhor como funciona o processo de imigração do zero, recomendo ler o guia completo sobre imigração que eu escrevi. Lá eu explico como escolher o país certo para o seu perfil.

2. Não entender a diferença entre visto, residência e cidadania

Muita gente fala “vou tirar o visto e virar residente” ou “vou morar em Portugal e ter cidadania europeia”.

Não é assim que funciona.

Visto, residência e cidadania são três coisas completamente diferentes, com direitos e processos distintos. Se você confunde isso, vai planejar errado desde o início.

Eu mesmo demorei para entender que meu visto de descendente no Japão não me torna residente permanente automaticamente. Eu preciso renovar, cumprir regras, e só depois de anos posso aplicar para residência permanente (se eu quiser).

Como evitar:

Estude a diferença entre os três status migratórios. Eu escrevi um post detalhado explicando a diferença entre visto, residência e cidadania na prática — vale a leitura se você ainda tem dúvidas.

3. Subestimar os custos reais

Esse erro quase me ferrou.

Eu via gente falando “com 10 mil reais você consegue ir para o Japão”. E tecnicamente é verdade — se a empresa pagar passagem, apartamento, e você não tiver nenhum imprevisto.

Mas a realidade é que sempre tem imprevisto. E se você chegar no país sem reserva financeira, qualquer problema vira desespero.

Custos que a maioria esquece:

  • Tradução e autenticação de documentos
  • Taxas de visto e aplicação
  • Seguro viagem (obrigatório em muitos países)
  • Primeiros meses de aluguel + depósito
  • Alimentação e transporte até receber o primeiro salário
  • Chip de celular, conta bancária, etc.
  • Imprevistos (doença, perda de bagagem, etc.)

No meu caso, mesmo com a empresa pagando passagem e apartamento, eu vim sem uma reserva financeira considerável — tinha entre R$ 2.000,00 R$ 3.000,00, o que não foi suficiente. O que me salvou foi usar o limite do meu cartão de crédito como reserva de emergência.

Não é o ideal. Me custou caro, porque a conversão via cartão de crédito tem uma das taxas mais altas. Mas foi o que me salvou na época.

Como evitar:

Faça uma planilha realista de custos. Pesquise em grupos de brasileiros no país, veja relatos reais, e sempre adicione 30% a mais do que você calculou. Imprevistos acontecem.

O ideal é ter pelo menos 3 a 6 meses de custo de vida guardado antes de ir. Não conte com cartão de crédito como reserva — isso pode sair muito caro.

4. Acreditar em informações desatualizadas ou erradas

Grupos de Facebook, vídeos antigos no YouTube, posts de blog de 2018 — tudo isso pode estar completamente desatualizado.

Leis de imigração mudam. Programas de visto são cancelados. Custos aumentam. O que funcionava há 2 anos pode não funcionar mais hoje.

Como evitar:

  • Sempre confira a data da informação
  • Busque fontes oficiais (sites do governo, consulados)
  • Entre em grupos atualizados de brasileiros no país
  • Desconfie de promessas fáceis (“visto garantido em 30 dias!”)

5. Não ter segurança mínima antes de ir

Muita gente vai para o exterior sem nenhuma garantia: sem emprego confirmado, sem lugar para ficar, sem saber se vai conseguir se sustentar nos primeiros meses.

Isso funciona para alguns países e perfis, mas é um risco enorme — especialmente se você não tem reserva financeira para aguentar meses sem renda.

No meu caso, um dos principais motivos para ter escolhido o Japão foi justamente a segurança. Eu vim com emprego garantido, apartamento semimobiliado, passagem paga pela empresa. Não tinha plano B. Eu vim com a certeza de que ia fazer dar certo, e não tinha a opção de “se não der certo, eu volto”.

Diferente da maioria dos imigrantes que vão para países da Europa e enfrentam o risco de não conseguir emprego, perder a vaga, ou ter que voltar — no Japão, essa segurança foi o que me permitiu arriscar sem medo.

Como evitar:

Antes de ir, garanta pelo menos:

  • Emprego confirmado (ou reserva financeira para aguentar meses sem trabalhar)
  • Lugar para ficar nos primeiros dias/semanas
  • Documentação em ordem
  • Clareza sobre o que você vai fazer se algo der errado

Se você não tem segurança mínima, o risco pode ser grande demais.

6. Ir sem saber o idioma mínimo

Você não precisa ser fluente. Mas se você não sabe nada do idioma do país, vai sofrer muito mais do que o necessário.

Eu vim para o Japão sabendo japonês básico (por causa da família). Mesmo assim, passei aperto em várias situações. Mas esse básico me ajudou muito — inclusive a ajudar outros brasileiros que vieram junto comigo pela mesma empresa e não sabiam nada do idioma.

A verdade sobre idioma no Japão (e em outros países)

No Japão, você pode viver sem saber o idioma. Eu conheço pessoas que estão aqui há mais de 6 anos sem saber praticamente nada de japonês. Dá para se virar.

Mas saber o idioma abre muitas portas. Melhores empregos, melhores salários, mais oportunidades, menos dependência de outras pessoas.

E diferente do Japão, a maioria dos outros países exige que você fale o idioma local — ou pelo menos entenda o básico de inglês para se virar.

Como evitar:

Antes de ir, aprenda pelo menos:

  • Frases básicas de sobrevivência (pedir ajuda, perguntar preço, etc.)
  • Como ler placas e sinais importantes
  • Vocabulário relacionado ao seu trabalho

E se você tem dificuldade com o idioma do país, pelo menos saiba inglês. Inglês abre portas em praticamente qualquer lugar do mundo.

Se você quer desenvolver seu inglês antes de imigrar e precisa de orientação, entre em contato comigo pelo WhatsApp. Posso te ajudar a encontrar o melhor caminho para aprender de forma prática e rápida.

7. Não pesquisar sobre a cultura do país

Morar em outro país não é só trocar de endereço. É lidar com uma cultura diferente, regras sociais diferentes, jeito de trabalhar diferente.

No Japão, por exemplo, a cultura de trabalho é muito diferente do Brasil. Hierarquia é levada a sério, pontualidade é sagrada, e você não pode simplesmente “dar um jeitinho” nas coisas.

Como evitar:

Antes de ir, pesquise sobre:

  • Regras sociais básicas (cumprimentos, etiqueta, etc.)
  • Cultura de trabalho
  • O que é considerado ofensivo ou inadequado
  • Como funcionam serviços básicos (transporte, saúde, etc.)

Quanto mais você souber antes, menos choque cultural você vai ter.

8. Ir sem reserva financeira

Esse é um dos erros mais perigosos.

Muita gente vai para o exterior contando que vai “se virar” quando chegar lá. Mas se você não conseguir emprego rápido, se tiver um imprevisto, se a empresa te demitir — você vai ficar em uma situação muito difícil.

Como eu mencionei antes, eu vim para o Japão com um valor bem pequeno — entre R$ 2.000,00 R$ 3.000,00. Não foi suficiente. Tive que usar o limite do meu cartão de crédito como se fosse uma reserva financeira de emergência.

Não é o que eu recomendo. Foi o que me salvou, mas me custou caro, porque a conversão via cartão de crédito é uma das taxas mais caras que existem.

Como evitar:

Antes de ir, tenha pelo menos:

  • 3 a 6 meses de custo de vida guardado
  • Dinheiro para passagem de volta (caso precise)
  • Margem para imprevistos

Não vá contando que vai “dar um jeito”. Tenha um colchão financeiro de verdade.

9. Não validar diplomas e documentos antes

Dependendo do país e da sua profissão, você pode precisar validar diplomas, traduzir documentos, tirar certificações locais, etc.

E isso demora. Às vezes meses.

Se você não fizer isso antes de ir, pode chegar no país e descobrir que não pode trabalhar na sua área até resolver a burocracia.

Como evitar:

Pesquise antes:

  • Seu diploma é reconhecido no país?
  • Você precisa de certificação local?
  • Quais documentos precisam ser traduzidos e autenticados?

Resolva o máximo possível ainda no Brasil.

10. Ir por desespero (sem planejamento)

Esse é o erro mais perigoso de todos.

Muita gente decide imigrar porque está desesperada: desempregada, endividada, infeliz. E aí vai sem planejar direito, achando que “qualquer coisa é melhor que aqui”.

Mas imigração mal planejada pode piorar sua situação. Você pode gastar o pouco dinheiro que tem, não se adaptar, e voltar em uma situação pior do que estava.

Como evitar:

Mesmo que sua situação no Brasil seja difícil, planeje. Não vá no impulso. Imigração exige estratégia, não desespero.

Conclusão

Planejar imigração é complicado. E é normal cometer erros no começo.

Mas se você evitar os erros que listei aqui, você já vai estar muito à frente da maioria das pessoas que tentam imigrar sem planejamento.

Lembre-se: imigração não é mágica. É planejamento, pesquisa, paciência e estratégia.

Qualquer dúvida, deixa nos comentários. Boa sorte na sua jornada! 🌍

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Escrito por babadahora23@gmail.com

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