Madri é uma daquelas cidades em que você anda, olha em volta e pensa: “dava para morar aqui fácil”. É bonita em praticamente qualquer canto, tem muita vida na rua e é perfeita para ser explorada a pé — desde que você escolha bem onde ficar e organize minimamente o seu roteiro.
Nas duas vezes em que estive em Madri, foquei em conhecer tudo andando, usando transporte basicamente para ir/voltar do aeroporto e do hotel.
Com um bom ponto de hospedagem e um pouco de planejamento, 3 dias inteiros dão para montar um roteiro bem completo pela cidade, sem correria insana.
Abaixo, está um roteiro de 3 dias em Madri, 100% pensados para fazer a pé, com:
- sugestões de passeios,
- dicas de onde comer com bom custo-benefício,
- alertas de pegadinhas de preço,
- e alguns aprendizados práticos das minhas experiências.
Onde ficar em Madri para fazer tudo a pé
A escolha de hospedagem em Madri faz muita diferença na experiência, especialmente se a ideia é andar o máximo possível.
Minha recomendação direta:
- Ficar perto da Gran Vía ou nos arredores do centro (Sol, Callao, etc.).
Por quê?
- A Gran Vía é uma das avenidas principais da cidade:
- seguindo por ela, você chega ou se conecta fácil com vários pontos importantes;
- tem metrô, comércio, restaurantes, movimento;
- e você está a uma caminhada relativamente curta de lugares como Puerta del Sol, Plaza Mayor, Cibeles, Parque del Retiro, etc.
Além disso:
- Estar bem localizado te dá liberdade de adaptar o dia ao que for aparecendo no caminho.
- Você certamente vai ver alguma praça, rua, fachada ou igreja interessante fora do “roteiro formal” — e quanto mais central você estiver, mais fácil encaixar essas descobertas sem perder tempo.
Eu recomendo fortemente usar o Booking para escolher seu hotel próximo à Gran Vía ou áreas centrais, comparando avaliações, localização e preço.
Como comer e beber sem falir (e sem cair em cilada)
Duas coisas que eu aprendi na prática em Madri:
1. Starbucks não vale a pena
Se você pensa em usar Starbucks para lanches rápidos e café, vá preparado:
- Geralmente é caro
- e lotado.
Na prática, não valeu a experiência para mim.
2. Tim Hortons é um achado melhor
Em vez disso, eu recomendo muito as cafeterias Tim Hortons (rede canadense que tem unidades em Madri):
- Atendimento foi melhor,
- ambiente mais agradável,
- comidas e cafés mais gostosos,
- e a sensação geral de custo-benefício foi bem superior.
Se você quer uma pausa para um lanche, café ou mini café da manhã, vale procurar uma unidade da Tim Hortons no mapa e encaixar no seu caminho.
3. Água e mantimentos: compre em mercados, não em área turística
Outra dica que faz diferença real no bolso:
- Evite comprar água e lanchinhos em plena área turística (dentro de parques, ao lado de grandes praças, etc.).
- Em vez disso, mapeie um Carrefour Express ou mercados similares perto das regiões por onde você vai passar.
Dá para perceber claramente a diferença:
- Uma garrafa de água ou snack simples que custa uma fortuna em quiosque turístico pode sair por uma fração do preço num mercado de bairro.
- Em uma viagem de 3 dias andando o dia todo, essa diferença se acumula rápido.
Não subestime esse truque:
em alguns lugares, a diferença de preço chega a ser até “assustadora” — e você agradece no fim da viagem quando vê o extrato.
Dia 1 – Centro histórico: Sol, Plaza Mayor, Mercado de San Miguel e região
Manhã – Puerta del Sol e arredores
Comece pela Puerta del Sol, um dos pontos mais famosos de Madri:
- É uma praça central, movimentada, cheia de vida, artistas de rua e símbolos importantes (como o famoso urso e o madroño).
- A partir dali, você já tem fácil acesso a várias ruas comerciais e a outros pontos do centro.
Alerta importante:
Madri é cheia de artistas e pessoas abordando turistas. Em alguns casos, é só uma interação inocente; em outros, pode virar risco de golpe ou situação desconfortável.
Um exemplo real que vivemos:
- Minha esposa quase tomou um prejuízo grande ao tentar ajudar uma moça que pedia dinheiro para comprar comida.
- O detalhe é que a moça queria que a compra fosse feita justamente no Mercado de San Miguel, um lugar belíssimo, mas com preços bem altos.
- Só de pensar em pagar comida ali, “nem para mim mesmo eu sabia se compensava pagar” — quem dirá bancar para outra pessoa.
Fique atento a:
- abordagens insistentes,
- pedidos de “ajuda” em locais caros,
- gente que tenta se aproximar demais enquanto você está distraído.
Ajuda é sempre válida, mas com cuidado e consciência de onde você está e quanto as coisas custam.
Meio do dia – Plaza Mayor
Da Puerta del Sol, vá caminhando até a Plaza Mayor:
- Praça lindíssima, cercada de prédios históricos, restaurantes e bares.
- É aquele lugar “cartão postal” que você precisa ver ao vivo.
Vale sentar um pouco, observar o movimento, tirar fotos, mas:
- lembre-se de que, por ser muito turística, os restaurantes ali tendem a ser mais caros.
- Se o orçamento estiver apertado, você pode só apreciar a praça e deixar para comer em outro lugar.
Tarde – Mercado de San Miguel
Do lado da Plaza Mayor, você chega facilmente ao Mercado de San Miguel:
- É um mercado gastronômico super bonito, com muitas opções de tapas, vinhos, doces e comidinhas.
- A arquitetura é linda, o ambiente é animado e, visualmente, é um passeio que vale muito a pena.
Mas vá com a expectativa certa:
- os preços são altos,
- é mais um passeio para conhecer e talvez provar algo especial,
- não necessariamente o lugar para fazer todas as refeições se você quer economizar.
Depois de explorar o mercado, você pode continuar caminhando pelo centro, explorando ruas, praças menores e entrando em algum café mais fora do fluxo principal para um descanso.
Dia 2 – Parque del Retiro, Cibeles e entorno
O segundo dia é, para mim, o mais especial: Parque del Retiro é facilmente um dos meus lugares favoritos em Madri.
Manhã – Círculo Cibeles
Comece o dia indo até a região da Plaza de Cibeles:
- O Chafariz de Cibeles é um dos cartões-postais da cidade, com forte valor cultural e simbólico.
- A estátua e a fonte são lindas, rodeadas por prédios imponentes, como o Palácio de Cibeles.
Vale uma parada para fotos, observação e, se der, uma passada rápida nos arredores.
Tarde inteira – Parque del Retiro
Da região de Cibeles, você segue a pé até o Parque del Buen Retiro (Parque do Retiro), que é, na minha opinião, um lugar para passar facilmente um dia inteiro se você gosta de caminhar, natureza e cantinhos fotogênicos.
Principais pontos dentro do parque:
- Lago Grande do Retiro
- Com barquinhos, vista linda, ótimo para fotos.
- Palácio de Cristal
- Um dos lugares mais fotogênicos do parque.
- Em alguns períodos, abriga exposições; mesmo vazio já é maravilhoso.
- Jardim do Parterre
- Mais organizado, com canteiros, esculturas e um visual bem clássico.
- Roseiral (Rose Garden / Rosaleda)
- Um jardim de rosas lindíssimo (a melhor época para ver o jardim em auge costuma ser entre maio e junho, quando as rosas estão mais floridas).
Dicas importantes para o Retiro:
- Leve água:
- dentro do parque, vender água ou bebidas costuma ser bem mais caro;
- existem bebedouros em alguns pontos, mas você pode demorar para achar um quando estiver com sede.
- Explore além dos “pontos principais”:
- o parque é grande, cheio de caminhos, espaços abertos, sombras, gramados, pequenas surpresas;
- não tenha pressa, deixe tempo para simplesmente andar sem rumo.
Se você curte parques urbanos, esse provavelmente vai ser um dos grandes destaques da viagem.
Dia 3 – Gran Vía, Templo de Debod e mais um giro pelo centro
O terceiro dia é para fechar Madri com chave de ouro, misturando vistas, cidade viva e, se quiser, alguns extras.
Manhã – Passeio pela Gran Vía e compras/observação
Comece o dia andando pela Gran Vía:
- É uma avenida cheia de lojas, cinemas, prédios históricos e movimento.
- Mesmo sem comprar nada, só caminhar por ela já vale muito.
- Se o seu hotel for por ali (como eu recomendo), você provavelmente já vai ter passeado pela região nos outros dias — mas aqui é a hora de explorar com mais calma.
Você pode aproveitar para:
- olhar vitrines,
- entrar em lojas de souvenirs,
- fazer uma pausa em alguma cafeteria (lembra da Tim Hortons?),
- observar a arquitetura dos prédios.
Tarde – Templo de Debod (e pôr do sol)
Reserve a parte final do dia para ir ao Templo de Debod, um dos pontos mais especiais para ver o pôr do sol em Madri:
- Trata-se de um templo egípcio autêntico, doado ao governo espanhol, instalado em um parque com vista lindíssima da cidade.
- O cenário do sol se pondo atrás do templo, com a cidade ao fundo, é realmente marcante.
Mas aqui vai um aviso importante:
- O Templo de Debod é muito concorrido no horário do pôr do sol.
- Para conseguir um lugar bom para ver o pôr do sol e tirar fotos, é importante chegar com antecedência.
Vale ir um pouco antes, caminhar pelo parque em volta, achar um bom ponto, sentar e esperar o espetáculo.
Outros extras possíveis (se tiver fôlego e interesse)
Se você ainda tiver tempo/energia ou quiser esticar o roteiro, alguns extras que encaixam em Madri a depender do seu interesse:
- Plaza de Toros (Las Ventas)
- Um dos símbolos da tourada na Espanha.
- Cobra entrada para visitação, então entra mais como um extra opcional para quem se interessa por essa parte da cultura.
- Estádio do Real Madrid (Santiago Bernabéu)
- Mesmo para quem não acompanha futebol (meu caso), o estádio é impressionante.
- A visita guiada/experiência pode ser bem legal para ter um outro tipo de visão da cidade.
Ambos exigem deslocamento um pouco maior, então fazem mais sentido se:
- você já viu bem o centro,
- tem interesse nesses temas específicos,
- e está disposto a pegar metrô/táxi/uber para chegar até lá.
Conclusão: 3 dias a pé em Madri valem cada passo
Com 3 dias inteiros e um hotel bem localizado, dá para:
- conhecer bem o centro histórico,
- se apaixonar pelo Parque do Retiro,
- ver a cidade de cima no Templo de Debod,
- viver o clima da Gran Vía,
- provar um pouco da gastronomia (com atenção ao orçamento),
- e ainda deixar espaço para descobertas espontâneas pelo caminho.
Alguns pontos-chave para a experiência ser realmente boa:
- Escolher bem a hospedagem, de preferência perto da Gran Vía ou região central;
- Planejar água e lanches usando mercados como Carrefour Express, não apenas áreas turísticas;
- Aproveitar cafeterias com melhor custo-benefício (como Tim Hortons) em vez de cair em redes caras e lotadas;
- Ficar atento a abordagens em áreas turísticas, sem deixar de aproveitar o clima de rua;
- E, claro, ir com o espírito aberto para caminhar, observar e se deixar surpreender pela cidade.
Se você combinar esse roteiro com as dicas de clima e de melhor época do Quando ir a Madri: melhor época, clima, lotação e minha experiência, tem praticamente um “kit básico” pronto para planejar sua primeira (ou próxima) visita à capital espanhola.
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